
Eram quatro os lenços que a minha mãe usava, tantos quantos os pontos cardeais.
Habituei-me a vê-los, emoldurando aquela face, que ora sorria na mais terna expressão, ora transparecia num olhar distante, os danos que a vida lhe causara.
Assim, aqueles lenços tornaram-se o ex-libris de quem me embalara na infância e alentara incondiconalmente em toda a minha existência, até que os nossos caminhos seguiram dias diferentes, à distância de um arco-íris.
Decidi então, que quais raios de luz, Daquela que venerada tinha, seguissem os mesmos lenços direcções cardeais, num abraço eterno de saudade, que no seu todo, reunissem os sentimentos sagrados que encontrara Naquela a quem tinham pertencido, designadamente Amor, Cumplicidade, Fraternidade e Carinho.
Eram quatro os lenços que a minha mãe usava, tantos quantos os pontos cardeais.
Habituei-me a vê-los, emoldurando aquela face, hoje emolduram as faces que juntas me fazem sentir a Dela.
- À minha tia, que qual segunda Mãe, velando, me seguiu sempre os passos;
- À Mariah (a Mãe) que caminha ao meu lado, do lado do coração;
- À Maria do Céu (a Irmã) que discreta caminha ao lado, num apoio em silêncio;
- À Ana, que velando, lhe sigo os passos num carinho imensurável.